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Fazer jejum faz bem para a saúde?

Fazer jejum faz bem para a saúde?

“Corta a gordura da alimentação. Agora corta o carboidrato. Corta glúten e lactose! Corta tudo! Ah, não come nada e faz jejum!” Você já se deparou com a ideia de que deixar de comer talvez seja a solução? Será que fazer jejum faz bem para a saúde?

Vem conferir esse artigo que eu vou expor alguns pontos que você deve pensar antes de começar a jejuar!

O que é e para que serve o jejum intermitente?

O Jejum intermitente ganhou popularidade nos últimos anos porque algumas pessoas acham mais fácil ficar sem comer do que ter que comer menos calorias em várias refeições. Sabe aquela galera que já acorda sem fome e pula o café da manhã e colação e só vai comer lá para o meio da tarde quando almoça? Então...

Ele é conhecido por ser um jejum de 24-72h, ou que ocorre de 1-3 dias por semana e nas outras horas/dias a pessoa pode se alimentar livremente.

Nos dias de jejum, a pessoa deveria restringir cerca de 75% das calorias ingeridas - alguns alimentos de baixa caloria são permitidos dependendo do protocolo aplicado.

Quer saber mais? Leia também: Jejum Intermitente: Está pensando em seguir essa dieta? Leia esse artigo!

Quais os benefícios do jejum?

Estudos recentes têm demonstrado que jejuns e restrição calórica tem a mesma eficácia no emagrecimento ou proteção cardiovascular.

O que permanece incerto quando o assunto é diabetes ou resistência à insulina: ainda não se sabe se o jejum seria superior à restrição calórica ou comer mais vezes ao dia.

O que os estudos têm demonstrado também, é que a técnica de jejuar tem se mostrado até eficaz, porém apresenta os mesmos resultados de uma restrição calórica, quando são comparadas. Então o critério para realizar o jejum acaba sendo mais emocional ou social, do que a fisiologia em si. Pois a pessoa deve pensar se é uma forma de viver que se aplica à rotina dela ou se ela “aguenta” ficar sem comer por longos períodos.

Claro que existem restrições para casos específicos, tais como: gestantes, crianças, idosos, pessoas em uso de hipoglicemiantes, etc.

Fazer jejum emagrece?

Gente, é óbvio que não comer emagrece. A questão não é SÓ essa.

A questão é: você consegue fazer jejum, perder peso e depois se manter com esse novo peso?

Fazer jejum pode reduzir de 2,2 a 4,5Kg por semana, mas lembre-se que esse peso perdido não é necessariamente de gordura! Tem músculo indo embora nessa história.

Mas acontece que assim que a pessoa se alimenta novamente, todo aquele processo descrito acima se desfaz e retorna à normalidade. Então não é só sobre o tempo que você fica sem comer ou o que o jejum faz no corpo, e sim sobre O QUE você come e QUANTO você come quando retorna para a sua alimentação habitual.

E lembre-se: quando você volta a comer seu metabolismo já está mais lento... então talvez você ganhe peso mais facilmente se comer o mesmo que comia antes nas suas horas de alimentação, tá?!

Quais os efeitos do jejum no corpo? O que causa o jejum prolongado?

Para o corpo responder ao jejum, é necessário que já esteja adaptado ao estado de hipoglicemia, ou seja, baixa glicose circulante no organismo. Isso ocorre após cerca de 15h sem consumir calorias.

Existe glicose circulando no sangue, “guardada” no fígado e nos músculos (na forma de glicogênio), e após essas 15h de jejum, é nesses locais que a glicose vai se esgotando.

Quando esses níveis de glicose se tornam bem baixos, o corpo envia sinais de estresse que vão desencadear uma nova forma de conseguir glicose, pois essa é a principal fonte de energia que o organismo precisa. Essa glicose virá da quebra de proteínas do corpo. Isso mesmo! O corpo começa a queimar músculos também.

Claro que o organismo não é tão tapado a ponto de acabar com os músculos! Ele também queima gorduras para gerar energia. Só que essa gordura não vai gerar glicose como fonte de energia, vai gerar os famosos corpos cetônicos.

Esses corpos cetônicos são uma fonte alternativa de energia. E como falei mais acima, o corpo precisa estar adaptado para suportar os “efeitos colaterais” dessa nova fonte de energia. Por isso as pessoas podem sentir tonturas, dor de cabeça, sudorese, mau humor e, foi mal galera, mas vai aparecer uma inhaquinha e mau hálito também...

Ah, e claro que o corpo vai se ligar que está sob estresse (ele liberou hormônios de estresse, lembra?), então depois de um tempo ele também começa a entrar em estado de “reserva” e diminui a taxa metabólica basal, ou seja, passa a gastar menos calorias em repouso.

Mas afinal, fazer jejum faz bem ou mal à saúde?

Bom, as pesquisas clínicas sobre jejum que realmente tenham desenhos de estudo robustos e níveis altos de evidências clínicas, ou seja, que indiquem com maior certeza que algo é aplicável na área da saúde, ainda são escassas na literatura.

Mesmo que alguns ensaios clínicos randomizados e desfechos clínicos em estudos observacionais suportem a existência de benefícios para a saúde ao se realizar jejuns, mais pesquisas em humanos precisam ser realizadas para que se suporte a recomendação de jejuns como terapia nutricional.

Fora isso, a maioria dos estudos também não acompanha os pacientes por longos períodos, para ver se essa estratégia é sustentável à longo prazo ou traz prejuízos.

E não adianta vir falar que o Nobel de medicina descobriu que o jejum intermitente é melhor do que comer de 3 em 3 horas, porque o estudo que foi feito ali não permite fazer essa afirmação!

O cara me estudou LEVEDURAS em ambiente totalmente desfavorável que passaram a consumir suas próprias reservas para sobreviver. Aí me vem uma galera e começa a falar que isso é replicável em seres humanos que vivem em um ambiente totalmente obesogênico?

O nome disso é falácia de autoridade! Quando alguém usa o argumento de que existe uma autoridade no assunto que afirma com absoluta certeza que algo é verdade.

Infelizmente na ciência, não existem verdades absolutas. Então na hora de responder a sua pergunta se Jejum faz bem ou mal à saúde? Eu te respondo: Depende! E busque um Nutricionista para receber orientação!

Clube da Energié
Débora Dias Cabral
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Nutri pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Mestre em Saúde Pública na subárea de Epidemiologia pela ENSP/Fiocruz. Experiência com atendimento clínico in company pela equipe Energié Nutrição e clínica em geral. 🐝

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